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Solar Maranhão

Francisco SantoFrancisco SantoMestre em Planejamento Energético pela USP
10 de setembro de 2026Compartilhe:
Setup gamer com iluminação RGB, wattímetro de tomada marcando o consumo em watts, calculadora e conta de energia sobre a mesa

Um computador usado duas ou três horas por dia raramente aparece na conta de luz. A conversa muda quando a máquina é um PC gamer, uma estação de trabalho ou o computador de quem cria conteúdo, e fica ligada boa parte do dia rodando tarefas pesadas.

O problema é que quase todo cálculo que circula por aí está errado. Pegar a potência da fonte, multiplicar por 24 horas e chegar a um valor assustador é fácil, e não descreve nenhum computador real. O que pesa na conta não é a potência máxima da máquina. É a potência média multiplicada pelo tempo.

Como calcular quanto seu PC gasta

Potência é quanto o equipamento puxa da tomada num instante, em watts (W). Consumo é potência multiplicada por tempo, em quilowatt-hora (kWh), e é o que a distribuidora cobra. A fórmula que liga os dois:

Consumo mensal (kWh) = potência média (kW) × horas por dia × dias do mês

E aqui está o ponto que derruba a maioria das contas: uma fonte de 850 W não significa que o computador consome 850 W o tempo todo. A potência da fonte é o fim da escala do velocímetro, não a velocidade média da viagem. Ela diz até onde o sistema pode chegar num pico, não onde ele passa a maior parte do tempo.

Potência média em 24 h Consumo em 30 dias
60 W (uso leve, muito tempo ocioso) 43 kWh
100 W 72 kWh
150 W (gamer algumas horas por dia) 108 kWh
250 W (gamer intenso ou criador) 180 kWh
400 W (renderização ou IA local contínua) 288 kWh

São simulações matemáticas, não medições de máquinas específicas.

Como chegar à sua potência média

Separe o dia em faixas de uso. Um exemplo de PC gamer que fica ligado o tempo todo:

  • 4 h jogando × 400 W = 1,60 kWh
  • 8 h de uso leve × 120 W = 0,96 kWh
  • 12 h ligado e ocioso × 70 W = 0,84 kWh

Total: 3,40 kWh por dia, ou 102 kWh no mês. Essa máquina fica ligada as 24 horas, mas a potência média dela é 142 W, não 400 W.

E o custo em reais

Pegue sua última fatura e divida o valor total pelo consumo em kWh. O resultado é o seu custo médio aproximado por kWh, e é com ele que você multiplica o consumo do PC. É aproximado porque parte da conta não varia com cada kWh consumido, como a contribuição de iluminação pública.

Para dimensionar: o consumo residencial médio no Brasil gira em torno de 178 kWh por mês, segundo a EPE. Os 102 kWh do exemplo acima equivalem a cerca de 57% disso, saindo de um único computador.

Quer testar com a sua rotina? Ajuste as horas em carga, uso leve e ocioso e informe o seu custo médio aproximado por kWh.

Calcule o consumo real do seu PC

Um computador ligado 24 horas não fica 24 horas em carga máxima. Distribua o seu dia entre as três situações abaixo e veja o número que realmente aparece na conta.

Jogando, renderizando, rodando IA local

Navegador, planilha, vídeo, música

Ninguém usando, mas a máquina está de pé

Pegue a última fatura e divida o valor total pelo consumo em kWh. É uma aproximação: parte da conta não varia com cada kWh consumido, como a contribuição de iluminação pública.

Custo do PC por mês

R$ 107

Peso moderado na conta

Consumo mensal
102 kWh
Potência média no dia
142 W
Em um ano
R$ 1.285

Referência: consumo residencial médio de 178,4 kWh/mês (EPE, Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade).

O que faz um PC consumir mais

Quatro fatores, nessa ordem: a placa de vídeo, o processador, quanto tempo os dois passam em carga e o que está ligado em volta.

Monitores contam mais do que parece. Um monitor de 27 polegadas puxa entre 25 e 45 W, e quem trabalha com dois ou três multiplica esse número.

Para quem transmite ao vivo, a lista cresce: iluminação, câmera, placa de captura, mesa de som e, em muitos casos, um segundo computador dedicado só à transmissão. Num país quente, entra ainda o ar-condicionado que o calor do setup obriga a ligar.

Para quem está montando uma estrutura de transmissão, Diego Navarro, também conhecido como Gatao_Play, publica com frequência conteúdo sobre equipamentos e configuração de lives no Livestreamer.

A escalada do teto de potência

Nas fichas oficiais da NVIDIA, a linha topo de linha de cada geração:

  • RTX 3090: 350 W
  • RTX 4090: 450 W
  • RTX 5090: 575 W

Esses valores são especificações de potência da placa, não consumo contínuo. A própria NVIDIA publica, para a RTX 4090, uma potência média em jogos de 315 W contra os 450 W de Total Graphics Power.

E a escalada não é uma linha reta. A RTX 5070 Ti, da geração atual, tem 300 W. Nem toda placa nova sobe.

Os consoles confirmam o padrão e mostram o outro lado dele. Em 2021, o NRDC mediu PS5 e Xbox Series X entre 160 e mais de 200 W nos jogos da geração, e o mesmo PS5 rodando um jogo feito para PS4 ficou entre 80 e 104 W. Em 2024, a Digital Foundry mediu o PS5 Pro em Elden Ring a 214 W contra 216 W do PS5 Slim, com 52 FPS contra 40. O teto homologado subiu de 350 W para 390 W, o consumo real não se mexeu e o desempenho subiu um terço.

A leitura correta é essa: os chips ficaram bem mais eficientes por operação. O que sobe é o teto, e o tempo que a máquina passa perto dele.

A IA rodando dentro do PC

Duas coisas diferentes estão acontecendo ao mesmo tempo, e elas têm efeitos opostos na conta.

A primeira é a NPU. A Microsoft exige um chip com 40 TOPS ou mais para um computador ser classificado como Copilot+ PC. Esse acelerador roda tarefas de IA no próprio aparelho com consumo baixo: legendas, efeitos de câmera, busca no sistema. Ele adiciona um piso pequeno.

A segunda é a IA pesada. Modelos maiores, geração de imagem e agentes recorrem à placa de vídeo e à memória de vídeo, ainda que modelos pequenos também rodem na NPU. Aqui a carga não é um pico de segundos como num jogo, é processamento sustentado por minutos ou horas. É onde a conta sobe, mesmo com GPUs e NPUs ficando mais eficientes por operação: o que muda é quanta tarefa pesada passa a ser feita na sua máquina em vez de num servidor distante.

Como gastar menos sem abrir mão de desempenho

Em ordem de retorno. O ganho de cada item muda conforme a máquina e o uso, então vale medir antes e depois.

  • Configure a suspensão automática. As horas ociosas são o que mais engorda a média sem entregar nada em troca.
  • Desligue os monitores ao sair. Em setups com dois ou três, isso sozinho já muda o resultado.
  • Trave o FPS. Num jogo em que a placa entregaria 200 quadros e o monitor mostra 144, o excedente vira calor e consumo.
  • Use o limite de potência da GPU. Reduzir para 70% ou 80% costuma custar pouco desempenho.
  • Não use o PC ou o console como aparelho de streaming. Medições mostram um PS5 puxando cerca de 80 W para rodar vídeo, contra 3,2 W de um Chromecast.
  • Meça em vez de estimar. Um wattímetro de tomada custa pouco e encerra a discussão.

Depois do desperdício, sobra o preço

Reduzir consumo tem um limite físico. Você não vai jogar menos, nem trocar a placa por uma pior. Cortado o desperdício, sobra a outra metade da conta: quanto você paga por cada kWh.

Para quem é atendido pela Equatorial, existe a energia solar por assinatura no Maranhão. O modelo aplica 15% de desconto sobre a energia compensada da fatura, sem instalar placas no imóvel e sem obra. É indicado principalmente para contas a partir de R$ 400 por mês.

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Francisco SantoFrancisco SantoMestre em Planejamento Energético pela USPPublicado em 10 de setembro de 2026