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Solar Maranhão

Francisco SantoFrancisco SantoMestre em Planejamento Energético pela USP
14 de setembro de 2026Compartilhe:
Lampada com o vidro dividido em faixas verde, amarela e vermelha, ao lado da lista das quatro bandeiras tarifarias e de pilhas de moedas

As bandeiras tarifárias são o adicional que a ANEEL manda cobrar na conta de luz quando a energia fica mais cara de produzir. Em agosto de 2026 está valendo a bandeira amarela: R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos (ANEEL, 31/07/2026). É o quarto mês seguido de cobrança extra.

Abaixo estão as cores, os valores em vigor, quanto isso pesa numa conta real e a parte que quase nenhum texto explica: o que acontece com a bandeira quando parte da sua energia é compensada por uma usina.

O que são bandeiras tarifárias e quem decide a cor de cada mês?

São um sinalizador de custo. Quando gerar energia fica mais caro no país, a ANEEL aciona uma cor e o custo extra aparece na sua fatura no mês seguinte. Quando a geração fica barata de novo, a cor volta ao verde e o adicional some.

Quem avalia as condições de operação todo mês é o ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico. Quem define os valores de cada cor é a ANEEL, uma vez por ano, ao fim do período úmido, em abril. Desde março de 2015 vale uma cor única para todo o Sistema Interligado Nacional: a bandeira de São Luís é a mesma de São Paulo (ANEEL, FAQ).

O anúncio sai no fim de cada mês e vale para o mês seguinte. Em 2026, o calendário da ANEEL marcou 31/07 para a bandeira de agosto e 28/08 para a de setembro. Depois do anúncio, as distribuidoras (a Equatorial Maranhão inclusive) têm até dois dias úteis para publicar a cor vigente no próprio site.

Dois detalhes fecham o quadro. A bandeira incide sobre o consumo faturado da unidade consumidora e carrega os mesmos tributos que a tarifa de energia: o adicional entra na base de cálculo dos impostos como qualquer outro item da fatura. E quem tem tarifa social de baixa renda recebe sobre a bandeira o mesmo desconto que recebe sobre a tarifa.

As cores e o valor de cada uma

São três cores em vigor, com a vermelha dividida em dois patamares. Os valores abaixo são os praticados pela ANEEL em agosto de 2026, por 100 kWh consumidos:

Bandeira Acréscimo por 100 kWh O que ela sinaliza
Verde R$ 0,00 Reservatórios em bom nível, geração barata
Amarela R$ 1,885 Condições menos favoráveis, térmicas parcialmente acionadas
Vermelha patamar 1 R$ 4,463 Geração cara, uso intenso de termelétricas
Vermelha patamar 2 R$ 7,877 Condição crítica, o maior adicional previsto

Fonte: ANEEL: Sobre Bandeiras Tarifárias, consultado em 12 de agosto de 2026.

Esses números mudam: a ANEEL revisa os valores uma vez por ano e a cor muda todo mês. Antes de fazer conta com qualquer valor daqui, confira o número atual no site da ANEEL.

Já existiu uma bandeira extra. A de escassez hídrica vigorou entre setembro de 2021 e abril de 2022, cobrando R$ 14,20 a cada 100 kWh durante a crise hídrica daquele período. Foi encerrada e não voltou: se um site listar escassez hídrica como bandeira ativa, o conteúdo está velho.

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Por que a bandeira sobe quando falta chuva?

Porque o Brasil ainda depende das hidrelétricas, e elas dependem de chuva. Quando os reservatórios baixam, o sistema liga termelétricas para dar conta da demanda, e queimar combustível custa muito mais caro do que deixar a água passar pela turbina.

Ao anunciar a bandeira de agosto de 2026, a ANEEL foi explícita: a amarela reflete “condições menos favoráveis de geração de energia no País em razão do período seco, quando há redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado”.

Daí o padrão anual. O período seco no Sudeste e Centro-Oeste, onde estão os maiores reservatórios do país, vai mais ou menos de maio a novembro, e é nessa janela que as bandeiras aparecem. Em 2026: verde de janeiro a abril, amarela de maio a agosto.

Repare no detalhe que incomoda: a chuva que define a sua bandeira não é a que cai no Maranhão. É a que cai, ou não cai, nos reservatórios do Sudeste.

Quanto a bandeira pesa numa conta de verdade

Menos do que a maioria imagina, e o cálculo dá para fazer sozinho: multiplique seu consumo em kWh pelo valor da bandeira e divida por 100. Uma casa que consome 300 kWh sob bandeira amarela paga R$ 5,66 de adicional. A mesma casa, sob vermelha patamar 2, paga R$ 23,63.

Consumo mensal Amarela Vermelha P1 Vermelha P2
150 kWh R$ 2,83 R$ 6,69 R$ 11,82
300 kWh R$ 5,66 R$ 13,39 R$ 23,63
500 kWh R$ 9,43 R$ 22,32 R$ 39,39
1.000 kWh R$ 18,85 R$ 44,63 R$ 78,77

Cálculo sobre os valores da ANEEL vigentes em agosto de 2026.

Vamos ser honestos com o número. A bandeira é uma das menores linhas da fatura. Uma residência de 500 kWh atravessou os quatro meses de amarela de 2026 pagando R$ 37,70 de adicional até agosto: incômodo, mas longe de ser o vilão da conta. O peso de verdade está na tarifa: a ANEEL aprovou alta média de 17,9% para a Equatorial Maranhão com vigência a partir de 28 de agosto de 2025 (ANEEL, 2025).

O incômodo é de outra natureza. A cor da bandeira é a única variável da conta que você não escolhe: não depende do seu contrato, do seu histórico nem da sua distribuidora, só do nível dos reservatórios. Um comércio de 1.000 kWh mensais que enfrentasse um ano inteiro de vermelha patamar 2 pagaria R$ 945,24 só de adicional. Reduzir a base sobre a qual ela incide é o movimento que resta na sua mão, e o guia como economizar energia organiza esse corte em quatro camadas, da que exige esforço diário à que não exige nenhum.

O que muda para quem tem energia compensada

A bandeira deixa de incidir sobre a energia compensada. Está escrito na norma: o parágrafo 2º do artigo 307 da Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL, com a redação dada pela REN 1.059/2023, diz que “no caso de unidade consumidora participante do SCEE, as bandeiras tarifárias não incidem sobre a energia compensada”. É a parte que os textos sobre bandeiras quase sempre deixam de fora.

SCEE é o Sistema de Compensação de Energia Elétrica, o mecanismo pelo qual a energia gerada por uma usina abate o consumo registrado no seu relógio. Traduzindo: a bandeira só é cobrada sobre a diferença positiva entre o que você consumiu da rede e o que foi compensado.

Um exemplo com conta fechada, numa ligação monofásica. Você consome 500 kWh da rede e 450 kWh são compensados pelos créditos da usina. Sobram 50 kWh faturados. Sob a bandeira amarela de agosto de 2026, o adicional cai de R$ 9,43 para R$ 0,94. Sob vermelha patamar 2, cairia de R$ 39,39 para R$ 3,94.

O limite dessa vantagem também precisa ser dito: existe um piso. A distribuidora fatura no mínimo o custo de disponibilidade: 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica a três condutores e 100 kWh na trifásica (art. 291 da mesma resolução). Numa trifásica, aqueles 50 kWh do exemplo virariam 100. A bandeira não desaparece; ela encolhe junto com o consumo faturado.

O efeito vale para quem instalou placas no telhado e para quem assina energia de uma usina: nos dois casos a unidade participa do SCEE. Ainda decidindo entre os dois caminhos? Leia nossa análise sobre se a energia solar por assinatura vale a pena.

Como isso aparece na assinatura da Solar Maranhão

Na assinatura, a energia vem de usinas que já operam e o desconto é de 15% sobre a energia compensada, que é a quantidade de energia gerada pela nossa usina solar que substitui a energia que você compraria da Equatorial, não sobre o valor total da fatura. Essa distinção importa, e preferimos dizê-la antes de você assinar.

Você passa a receber duas faturas. Uma da Equatorial Maranhão, com distribuição, encargos e a bandeira do mês sobre o consumo que sobrou. Outra da AMEL (Associação Maranhense de Energia Limpa), que emite a segunda fatura e cobra a energia compensada já com o desconto aplicado. A divisão de papéis é simples: a Solar Maranhão opera as usinas; a AMEL faz o rateio e a cobrança. Duas faturas é mais papel, sim, e é o que permite conferir linha a linha o que vai para cada parte.

Não há obra, não há investimento, não há fidelidade e não há multa de cancelamento. A régua de entrada é uma conta de luz a partir de R$ 400 por mês; em condomínio, quem manda é a conta das áreas comuns, não a das unidades. Da adesão até a compensação aparecer na fatura costuma levar de 30 a 60 dias, porque depende do trâmite na distribuidora. O passo a passo está em como funciona a assinatura.

Regiões atendidas

Atendemos São Luís e todo o Maranhão, a mesma área de concessão da Equatorial. Se a sua conta é da Equatorial Maranhão, o modelo se aplica ao seu endereço; veja a página de energia solar por assinatura em São Luís.

A energia vem de usinas próprias da Solar Maranhão em operação no estado, com certificado de sustentabilidade emitido pela SGS.

A Solar Maranhão nasceu em São Luís em 2021. Os três sócios têm mestrado na USP e mais de uma década em energia renovável. O atendimento é 100% digital, de segunda a sexta, das 8h às 18h, e sábado, das 8h às 12h.

Solicite sua simulação pelo WhatsApp (98) 3042-2025: você envia uma fatura recente da Equatorial e recebe o cálculo sobre o valor que paga hoje.

Perguntas frequentes

Qual é a bandeira tarifária deste mês?

Em agosto de 2026 vale a bandeira amarela, com adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, anunciada pela ANEEL em 31 de julho de 2026. Foi o quarto mês seguido de amarela. A cor do mês seguinte sai no fim de cada mês, no site da ANEEL.

Quanto custa cada bandeira tarifária?

Nos valores vigentes em agosto de 2026, por 100 kWh: verde não cobra nada, amarela custa R$ 1,885, vermelha patamar 1 custa R$ 4,463 e vermelha patamar 2 custa R$ 7,877. A ANEEL revisa esses valores uma vez por ano, ao fim do período úmido, em abril.

Como calcular a bandeira tarifária na minha conta de luz?

Multiplique o seu consumo do mês em kWh pelo valor da bandeira e divida por 100. Com 420 kWh sob bandeira amarela: 420 × 1,885 ÷ 100 = R$ 7,92 de adicional. O valor entra somado à tarifa de energia e aparece identificado na fatura da distribuidora.

Quem tem energia solar paga bandeira tarifária?

Paga, mas só sobre o que não foi compensado. O artigo 307, parágrafo 2º, da REN 1.000/2021 determina que as bandeiras não incidem sobre a energia compensada no SCEE. Quanto maior a parcela compensada pela usina, menor a base sobre a qual a bandeira é cobrada, respeitado o piso do custo de disponibilidade.

A bandeira aparece nas duas faturas da assinatura?

Não. A bandeira é uma cobrança da distribuidora e aparece na fatura da Equatorial Maranhão, incidindo sobre o consumo que sobrou depois da compensação. A segunda fatura, emitida pela AMEL, cobra a energia compensada já com o desconto de 15%, percentual que vale sobre essa energia gerada pela usina, não sobre o total do mês.

Dá para escapar da bandeira mudando de distribuidora?

Não. Desde março de 2015 a ANEEL define uma única cor por mês para todo o Sistema Interligado Nacional. Trocar de distribuidora não muda nada; o que muda a conta é reduzir o consumo faturado sobre o qual o adicional incide.


Bandeira é o tipo de custo que a gente só percebe depois de pagar. Para saber quanto do seu consumo pode passar a ser compensado, e sair da base de cálculo do adicional, entre em contato pelo WhatsApp (98) 3042-2025 com uma fatura recente em mãos.

Francisco SantoFrancisco SantoMestre em Planejamento Energético pela USPPublicado em 14 de setembro de 2026